
Feng-Shui
A Escola Tibetana
Curso Básico
por Carla Rodrigues
NOTA DA AUTORA O Feng Shui deve ser visto, antes de tudo, como uma ferramenta de canalização energética para que, a partir de intenções reais de mudança e pensamentos positivos de toda a família residente em uma casa ou localidade, os frutos positivos da harmonia sejam alcançados. Deste modo, o aspecto mais importante do Feng Shui é a atitude positiva contínua e positiva de mudança relacionada à sua aplicação. “Através do pensamento podemos mover montanhas.”
Significando vento-água e traduzido em chinês como “local”, Feng Shui (pronuncia-se fong suei) é muito mais do que isso, pois corresponde a um caminho para mudanças positivas na vida das pessoas. A definição tradicional chinesa do Feng Shui é: “A arte de adaptar as residências dos vivos e dos mortos de modo a cooperar e harmonizar com as correntes locais do sopro cósmico” (Eitel, 1985). Feng Shui, ou geomancia, é uma técnica milenar chinesa e tibetana de harmonização de ambientes, iniciada há cerca de 4000 anos, visando transformar, através da correta utilização da energia Ch’ i, lares e locais de trabalho em lugares favoráveis para que se possa atingir a prosperidade, a felicidade e a harmonia, desviando a energia nociva e atraindo a boa sorte. Na China, o Feng Shui era uma ciência reconhecida pelo governo imperial e supervisionada diretamente pelo Imperador, até a ascensão do regime comunista, visando manter a produção agrícola e simultaneamente os fins estéticos e o equilíbrio das forças mágicas. Atualmente, a geomancia continua a ser utilizada de forma muito abrangente no Oriente, onde acredita-se ser imprescindível sua utilização para a garantia da prosperidade das cidades, e começa a se disseminar pelo Ocidente junto com o surgimento da Nova Era de Aquarius e a grande curiosidade sobre a cultura oriental.
As origens do Feng Shui se perderam no tempo e espaço, havendo teorias que associam sua centelha inicial ao Budismo Tibetano, a partir da qual teriam havido adaptações e modificações, até surgirem as escolas formais de Feng Shui, descritas pelos chineses. Porém, como toda a base do conhecimento dos 5 elementos teve origem na China, provavelmente houve a contribuição de ambas as civilizações nesta evolução. No século 9 dC, Yang Kwan Tsung compilou o primeiro livro de Feng Shui, que se tornou o livro texto da Escola da Forma de Feng Shui, denominada Kwang-Si. Esta escola tem como técnica procurar pelos sintomas visíveis do dragão, do tigre e um bom sopro. Um século depois, monges moradores das planícies do norte da China, compilaram um guia para análise e cura das regiões sem montanhas, criando a Escola do Compasso, denominada FoKien. Nesta escola, é dada máxima importância às doutrinas da ordem e das proporções numéricas da natureza, usando a bússola. Atualmente, os mestres em Feng Shui da China utilizam principalmente estas 2 escolas, buscando inicialmente as ondulações do terreno e, então, consultando o compasso para avaliação. Além dessas 2 maiores escolas de pensamento, há uma terceira escola, denominada Escola Tibetana, ligada à Seita do Manto Negro do Budismo Tântrico Tibetano (TTB). Esta escola mistura budismo tibetano, religião Bon tibetana e práticas chinesas, combinando Taoísmo filosófico e religioso, confucionismo, curas milagrosas e Feng Shui. Este módulo básico do curso enfocará principalmente esta última escola, com uma pequena introdução às outras duas tradicionais.
“O Tao é o início e o
fim; a vida e a morte;
e se encontra no templo dos Deuses.”
Nei Ching
Tao é o eterno, o impronunciável. É a fonte da vida e energia primordial. É o eixo em torno do qual giram os dois pólos opostos e complementares, Yin e Yang, que criam toda a matéria e suas transmutações. [ No Universo, a alternância e a transformação rítmica entre Yin e Yang é uma característica de todos os fenômenos manifestos. “No princípio era o Tao, seu primeiro movimento criou a energia Yang, solar, que se expandiu até o seu máximo, gerando o Yin, lunar. E este movimento de alternância entre as duas energias opostas e complementares tornou-se perpétuo e caracteriza o Universo pulsante para o sempre.”(Eitel, 1985).
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