Até onde pode ir a preocupação com aparência?

Até onde pode ir a preocupação com aparência?

A preocupação com a boa forma, estética e juventude é uma realidade na vida de muitas pessoas. Até certo ponto, esse cuidado é bastante saudável e pode trazer inúmeros benefícios para o corpo, mente e espírito.

Na medida em que a atenção com o corpo passa a ser prioridade absoluta frente a outras vertentes de nossas vidas, tais como os relacionamentos familiares, a espiritualidade e o trabalho, por exemplo, ela passa a ser fonte de diversas preocupações e dificuldades.

Entenda, neste post, como o excesso de preocupação com a estética pode trazer consequências negativas e como é possível ressignificá-las.

A imagem tomando o lugar da saúde

Uma busca intensa pelo corpo perfeito envolve, via de regra, uma rotina de excessos. Dietas extremamente restritivas, privação de convívio e prática de exercícios que vão além dos limites físicos são alguns dos exemplos.

Esse tipo de comportamento é capaz de trazer, em alguns casos, além das deficiências nutricionais, transtornos de ansiedade, culpa, e auto julgamento. Todos esses efeitos negativos nos afastam do “eu verdadeiro”, da nossa consciência plena e poder de decisão sobre nós mesmos.

A vaidade deve possuir limites tais que impeçam a interferência negativa na saúde – física, mental ou espiritual.

A supervalorização do físico pode criar insegurança

A percepção, às vezes inconsciente, mas muito comum, de que relações humanas se iniciam ou se mantém na superficialidade estética, nos leva a crer que ela é fundamental para os relacionamentos.

Se isso, em certos casos, já pode trazer dificuldades em nossa relação conosco mesmos, imagine em nossos vínculos com outras pessoas?

Na maioria dos casos, a estética assume uma importância muito maior do que deveria ter de fato. A insegurança e necessidade de aceitação e reconhecimento traz consigo a percepção de que seguir um padrão de beleza é importante para as relações humanas.

Tal pensamento é muito negativo pois o conceito de beleza está associado à percepção que o outro tem sobre nós, e, portanto, foge de nosso controle. Só podemos administrar aquilo que está ao nosso alcance: nossa felicidade e realização não podem depender de terceiros!

Para a manutenção de relações duradouras, sejam elas profissionais, de amizade ou amorosas, é necessário nutrir sentimentos muito maiores que a preocupação com a aparência: o respeito, empatia, carinho, companheirismo e aceitação das diferenças são apenas alguns exemplos.

Outros atributos são muito mais importantes e muitas vezes mais consistentes na conquista de boas relações, os quais podem ser trabalhados internamente com exercícios de autoconhecimento.

Por que não alegrar-se com as próprias individualidades?

Já parou para refletir se todos nós seguíssemos padrões de beleza e comportamento comumente adotados? Não estaria a beleza associada, justamente, ao que faz cada um de nós ser único?

Seguindo modismos, impostos por alguns veículos de mídia e mesmo influenciadores digitais, nos esquecemos de que nossas individualidades requerem cuidados específicos. A cultura, valores, modos de pensar, agir e visão de mundo podem ser bastante relevantes ao se pensar sobre o que nos fará bem.

Nosso corpo e nossas formas de pensar são um resumo de nossa história. Portanto, devem ser valorizados! Eles comunicam, indiretamente, quem somos, com qualidades e defeitos.

Em resumo, como em tudo na vida, a preocupação com a vaidade deve ir em busca do equilíbrio perfeito entre as dimensões emocional, física e espiritual, que formam o ser humano em sua totalidade.

Nos casos em que a preocupação estética se tornar uma fonte de ansiedade, ou seja, trouxer dificuldades de superá-la e mudar o foco da atenção, a psicanálise pode ajudar a buscar, em si mesmo, as ferramentas para a mudança.

Gostou do post? Compartilhe em suas redes sociais!