O relacionamento familiar é sempre referenciado como o padrão, o modelo a ser seguido, pois afinal, nada mais seguro e confortante do que o seio familiar. A afeição materna, a segurança paterna e a cumplicidade fraterna são elos indestrutíveis. Ou, ao menos deveriam ser.

A “família” é todo grupo que nos acolhe, que nos compreende enquanto ser humano passível de falhas. E aí, esquecemos que, quem nos acolhe são, também, humanos. Seres, como dito, suscetíveis aos erros.

A árvore familiar: o relacionamento com seus frutos

A gente, enquanto ser humano, não aprende a andar sozinho. Nossos primeiros passos foram antecedidos por um engatinhar supervisionado, com mãos a centímetros, prontos para nos salvar de um tombo. Ao erguermos os nossos corpos para caminhar, mãos estendidas nos guiava até um abraço estendido.

Mas, como em uma família frutífera, onde a árvore tem seus frutos, esteticamente todos são iguais. Os frutos possuem suas semelhanças, assim como filhos se parecem com os pais. Mas, os frutos carregam consigo características únicas. O amargor, o doce ou, até mesmo, ser insípido é peculiar. Após soltar-se dos galhos da árvore (família), o fruto (filhos) segue uma trajetória que é sua, em determinado momento, a separação é inevitável.

Assim como o sabor da fruta é internalizado, dizendo sobre, exclusivamente, ela, o que é intrínseco aos frutos das relações familiares, também diz a respeito do ser. Somos iguais enquanto frutos de uma mesma árvore, mas aos nos soltarmos, o que nos é particular é que vai definir nosso rumo.

Independência dos frutos

Ao contrário das árvores, nossas famílias julgam-se no direito de continuar traçando nosso caminhar, nosso pensar, nosso ser. Protecionismo? Desejo de que nos tornemos reflexos deles? Independente do anseio familiar, nesse momento de conflito entre: o desejo de que sejamos algo versus o que desejamos ser é fundamental bom senso.

Os frutos são o fechamento do ciclo da árvore, mas nem a árvore, nem os frutos, foram sempre iguais. Para tornarem-se aquilo que vemos “pronto”, as árvores passaram por mudanças, receberam ajuda de fatores externos e, absorvendo o que lhes era útil, moldaram seus galhos para sustentar seus frutos.

Os laços familiares não são apenas galhos que sustentam os frutos. Diferentemente das árvores, os galhos familiares são suporte que se moldam junto ao amadurecimento do fruto. Assim, diferentemente de uma árvore, que possui galhos sem frutos, não existe, na família, um galho que cresça sem fruto. O que acontece é que, em algum momento, o fruto desprende-se.

A família, enquanto árvore, deve manter-se intacta, firme, pois as raízes estão presa à ela. Essa raiz familiar é a sustentação, a certeza de que a família sempre terá o seu lugar. É essa certeza de estar presente que permite aos filhos, frutos, seguirem seu caminho. É preciso deixar o fruto seguir sozinho, para que ele possa espalhar sua semente e gerar novas árvores, sejam árvores familiares, árvores amigas.

Devemos lembrar que, enquanto frutos que somos, membros de diversas árvores que constituímos durante nossa caminhada, podemos sempre retornar à nossa árvore origem, reforçar nossos galhos e evitarmos a poda da nossa árvore família.