A Odontologia, hoje, é muito mais que o cuidado com a boca. Dentre inúmeras práticas integrativas, ela despertou para o cuidado do indivíduo como um ser único e completo.

Vamos entender como, então, a odontologia aproximou das práticas da medicina integrativa? Confira o post que preparei, mas antes, gostaria de começar falando um pouco da história da odontologia no Brasil.

A Odontologia no Brasil

Inicialmente, no século XVI, aqui no Brasil, e mesmo em países mais desenvolvidos, a odontologia se restringia às extrações de dentes, feitas por pessoas pouco qualificadas, sem medicamentos como anestesias e sem técnicas adequadas.

Eram os famosos “barbeiros” ou “tiradentes”. Apenas no século XVIII, que o francês Pièrre Fauchard (1678-1761) escreveria o primeiro tratado da Odontologia (Le Chirugien Dentiste au Traité des Dents) que o concederia o título de “pai da odontologia moderna”.

Nesta época, Minas Gerais era o estado mais avançado nas artes dentárias, em função da exploração do ouro. E aqui, surgiram as primeiras regulamentações da sua prática. No entanto, a primeira faculdade de Odontologia do Brasil surgiu apenas no final do século XIX, como um adendo do curso de medicina, que existia apenas no Rio de Janeiro e Salvador. Em 1990, surgia também no estado de São Paulo.

Mas, gostaria de ressaltar que o curso de Odontologia surgiu, basicamente, em função de uma necessidade de aprimoramento técnico e normativo. Mas, por que conto esta história? Para mostrar que a odontologia, em seu formato moderno, é uma criança, existe há pouco mais de um século! E extremamente tecnicistas.

A Odontologia e a Medicina Integrativa

Imagina então, quando por volta de 1970, dois brasileiros, Mário Baldani e Denisar Figueiredo, começaram a questionar muitos conceitos da Odontologia, principalmente vindos da escola americana, considerada na época a mais avançada.

Eles tiveram a ousadia de desfocar da boca e olhar para a pessoa. Olhar o paciente com sua história, suas dores e traumas. E começaram a observar que o campo que atuamos é muito mais vasto do que imaginávamos até então.  Falar nesta época em odontologia sistêmica era muito complicado.

Em menos de 50 anos, uma verdadeira revolução aconteceu. Não apenas na parte técnica, extremamente importante, mas também conceitual.   

Hoje em dia, é muito comum ouvirmos termos como Odontologia sistêmica, holística, integrativa, sem causar estranheza, pelo contrário, sendo usados até mesmo como ferramentas de marketing.

Dentro do próprio Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais, temos uma “Comissão de Práticas Integrativas”, com profissionais atuando na área de homeopatia, acupuntura, fitoterapia, posturologia, dentre outras.

O avanço técnico é primordial. Mas, o que mais observo como retorno positivo do paciente e que me satisfaz como profissional é a mudança conceitual.

O que quero dizer com isso?

O paciente não chega em nosso consultório apenas para tratar uma cárie, uma má oclusão, colocar um implante, ou fazer uma “harmonização facial”, como está na moda. Mas ele chega com suas queixas, suas angústias, dores físicas e emocionais.

Quando trabalhamos na odontologia holística, simplesmente mudamos o foco, de um olhar puramente técnico, local, para um olhar integrado com a pessoa. A partir daí, inúmeras abordagens são possíveis.

Esta mudança no caminho tradicional da odontologia, só foi possível e aceita pela classe odontológica, a partir de estudos da fisiologia que mostram a importância da boca e suas influências sistêmicas.

Falaremos disso mais tarde, mas apenas para exemplificar: você sabia que quando mudamos a posição da mandíbula, mudamos todo o equilíbrio corporal? Isso pode ser mensurado pela marca dos apoios dos pés que modificam imediatamente à mudança de postura da mandíbula. Este equilíbrio pode levar ao desaparecimento de dores lombares, dorsais ou em outros locais longe da boca e que tinham sua origem nela.

Em breve, nos encontraremos novamente neste espaço maravilhoso que a HOLOS nos propiciou. E poderemos continuar nossas conversas. No próximo texto falarei sobre uma nova área da odontologia denominada “Ortoposturodontia”.