Não escolhi a medicina, ela me escolheu. Desde os meus doze anos de idade, tinha a certeza de que seria médica.

Não sem sacrifícios, ingressei à faculdade em 1994. Faltava, então, escolher uma especialidade, uma área de atuação – já que nossa medicina atual é tão fragmentada e, devido aos rápidos avanços científicos e tecnológicos, fica difícil ser um médico generalista.

No quarto ano de medicina comecei a ter contato com as várias áreas de atuação. Tive a oportunidade de frequentar os mais diversos ambulatórios: da pediatria, clínica médica, cirurgia até urologia, oftalmologia, proctologia.

Mas, foi estudando a dermatologia, a pele, que me encontrei. Não me esqueço do dia em que abri o livro do Prof. Sampaio, no capítulo de doenças bolhosas e me deparei com uma foto em preto e branco. De um lado, uma moça de olhar vago, distante, com o corpo literalmente coberto de lesões.

Na ausência de cores daquela foto, sua pele podia ser facilmente confundida com uma roupa estampada. A falta de vida naquele olhar me marcou. Ao lado, a mesma moça, já tratada, com poucas lesões. Os olhos brilhantes. Presentes. Esperançosos. Vivos. Percebi o impacto que a pele tem, sua importância, sua força.

Era isso! Queria algo que pudesse fazer diferença na vida das pessoas.

Antes da dermatologia, fiz dois anos de pediatria no Hospital da Baleia. Aprendi muito, muito mesmo: sobre medicina e sobre a vida.

E então, enfim, abracei a dermatologia, área que adoro de paixão! Entretanto, sempre senti que ainda faltava algo.

Incomodava-me, por exemplo, ter de prescrever corticoide, um anti-inflamatório potente e cheio de efeitos colaterais, para “tratar” certas doenças. A minha sensação era de que o corpo – especialmente a pele – estava querendo dizer que algo não ia bem e o corticoide o mandava calar a boca. E eu precisava ouvir para tentar solucionar o problema, não mascará-lo.

Um dia ouvi no rádio uma entrevista com uma professora da USP sobre alimentação e como os alimentos “conversam” com o nosso corpo – e até influenciam a expressão de nosso DNA. Procurei saber mais sobre o assunto, conversei com colegas e comecei a frequentar cursos médicos sobre medicina integrativa, longevidade saudável e nutrição, entre outros. As respostas começaram a surgir.

Estou certa de que esse é apenas um começo.

Quanto mais estudo, quanto mais atendo e convivo com clientes percebo que há muito a aprender. Mas o caminho é claro e nítido.