Trabalho com diferentes estilos de yoga, mas após alguns anos de prática a minha preferência é o Hatha Vinyasa com fundamentos em Yogaterapia. Duas das minhas formações são no Vinyasa Krama e na Yogaterapia, cujo ramo do Yoga me especializei por 6 anos na Índia. Logo, as minhas aulas são fruto dessa longa “faculdade” indiana, somada com formações realizadas em Hatha Integral, Kriya Yoga, Vinyasa Yoga através de professores de nacionalidade diversas e pela minha própria experimentação das práticas que contam agora com 10 anos de “horas-tapetinho”. E confesso que sou uma praticante dedicada e regular.

 

Acrescentando a todo esse trajeto, também trouxe para minhas aulas a filosofia do Yoga. Sou uma indóloga amadora. Já li alguns livros do George Feurstein, Robert Goldman, Alexis Sanderson e depois me aventurei para as escrituras. Hoje sou estudante devoradora de todas essas, especialmente a literatura vedântica e professora dos Yoga Sutras de Patanjali.  Desde nova iniciei a caminhada da meditação. Aos 17 anos de idade, meditava 1-2 horas por dia e aos 21 anos já praticava 3-5 horas. Isso me fez refletir sobre o real motivo das práticas do Hatha Yoga e hoje vejo as posturas, também chamadas de asanas, como uma ferramenta de auto-observação. Percebo que os asanas tem inúmeros benefícios como, flexibilização da musculatura e mobilização das articulações, na automassagem das glândulas endócrinas, no aumento da circulação linfática e sanguínea, na criação de espaços internos que estão bloqueados por emoções guardadas, no ganho de consciência corporal, noção de espaço e auto-observação. Também atua na reconexão com o sentir (sensações), com a descoberta de uma respiração prazerosa e com o estado de presença que Somos. Existem milhares formas de se executar um asana ou dar uma aula de yoga. Cabe ao professor saber o que é apropriado para cada aluno, em cada momento, em cada situação. Como entendo assim, desenvolvi um método próprio de dar aula, que contempla todos esses aspectos e outros elementos como mantras, bandhas, bhavanas, mudras, que aprofundarei em outro momento.

 

O que priorizo numa aula é a capacidade do praticante de se manter presente enquanto movimenta. Por vezes, sou chamada de “malvada” por meus alunos, pois gosto de uma prática forte, com propósito, com foco em trazer algum efeito ou algum benefício físico ou psíquico. Acredito que viver é a arte de altos e baixos e gosto de trazer essa dinâmica para o tapetinho. Desta forma, inicio com uma proposta mais vigorosa e depois vou nos levando para uma abordagem mais introspectiva e de experimentação de Si Mesmo. O mais belo da prática é podermos realizá-la todinha sem nenhum pensamento, apenas observando e sendo. O apenas Ser foi perdido quando recebemos desaprovação dos pais em alguns de nossos comportamentos. Isso ficou traumatizado e hoje não sabemos apenas Ser. A minha aula é um convite para resgatarmos essa essência espontânea, pura, alegre e amorosa que sempre fomos. Meu objetivo para com qualquer praticante é ajudar a fluir o que estagnou, seja no físico pela uma falta de flexibilidade ou força, seja no emocional expressando uma respiração curta e cortada. Ou também no espiritual onde ao invés de experimentarmos uma mente acalmada, existe uma superimposição de várias crenças provocando confusão e uma identificação errada de quem somos.

 

Não importa onde o processo deixou de fluir, o resultado é a dificuldade de realizarmos nosso verdadeiro potencial e a conexão consigo que alimenta o sentido da vida e a compreensão de quem somos. A medida que praticamos Yoga, entendemos melhor o que significa SER. Embora não nos apercebamos disso ou nem tenhamos essa preocupação, esse é o lugar que qualquer indivíduo mais procura e mais quer descansar. E vivenciando toda essa proposta e o processo que surgirá nessa caminhada, o meu maior objetivo e o maior propósito do Sachcha Prem, meu centro de Yoga e Terapias, é viabilizar esse reencontro com o Ser. Quando você chegar perto de mim e dizer: “Karuna, o Yoga mudou a minha vida”, estarei sorrindo até as orelhas e internamente agradecida pela oportunidade de estarmos juntos. Finalizo, reverenciando sua jornada que lhe trouxe até aqui e reconheço todo o esforço e todo o brilho. NAMASTÊ!