Excesso de trabalho: os impactos na saúde mental da empresa

Trabalhar é honroso e, desde que estimulados da forma correta, tendemos a nos dedicar e executar nossas tarefas com maestria. Apesar disso, por mais que tenhamos paixão pelo trabalho e façamos dele parte prioritária de nossas vidas, é preciso colocar um limite saudável como em tudo na vida.

Para exercermos qualquer tarefa com excelência, é fundamental que estejamos saudáveis mentalmente. Portanto, a proposta e o ambiente de trabalho devem ser coerentes a esse equilíbrio entre entregas e saúde — física e mental — do funcionário. 

Quando isso não acontece, é constituído um ambiente desarmônico e estressante para o colaborador e, muitas vezes, para a empresa como um todo. O excesso de trabalho, por sua vez, pode gerar altos níveis de estresse e prejudicar a pessoa e a companhia de formas indesejáveis.

O que é o estresse?

O estresse é um fator psicofísico que afeta diretamente as ações do indivíduo. Trata-se de um mecanismo de defesa, ativado imediatamente pelo nosso corpo diante de situações “ameaçadoras”.

No momento em que uma situação desencadeia altos níveis de estresse, como em momentos de excesso de trabalho, são liberados hormônios como reação à ameaça que aquilo provoca à nossa saúde. 

Ou seja, nosso corpo, através do estresse, nos prepara para “lutar ou fugir” (em inglês, fight or flight). Entretanto, ao trabalhar em excesso, não necessariamente estamos fugindo ou lutando de alguma coisa, e esses níveis de hormônios desequilibrados a longo prazo podem implicar em consequências negativas para o indivíduo.

Excesso de trabalho, estresse e impactos na saúde mental

De acordo com uma pesquisa conduzida pela Northwestern National Life, 1/4 das pessoas entrevistadas considera o ambiente de trabalho como o principal desencadeador de estresse em suas vidas.

Além disso, de acordo com outra pesquisa (conduzida, desta vez, pela instituição St. Paul Fire and Marine Insurance Co.), “[foi identificado que] os problemas no trabalho estão fortemente associados às reclamações sobre a saúde mais do que qualquer outro fator estressante — até mesmo mais do que os problemas financeiros ou familiares.”

Isso acontece, muitas vezes, pela desatenção de gestores e despreparo para enxergar e lidar com situações em que colaboradores se encontram sobrecarregados. Portanto, é importante investir na saúde mental do corpo de funcionários

Focar apenas em aumento de produção pode ser um equívoco, pois o estresse ocasionado pela pressão pode gerar o efeito contrário: queda de produtividade e perda de bons colaboradores.

Trabalho na pandemia do coronavírus

Vale mencionar que o os níveis de estresse no trabalho aumentaram exponencialmente durante a pandemia. Isso porque as empresas foram acometidas repentinamente à necessidade de adaptações abruptas e muitas delas não estavam preparadas para lidar com o formato home office.

O despreparo das empresas frente à pandemia e a dificuldade de separar a vida pessoal do trabalho trouxe grandes impactos à saúde mental dos colaboradores, refletindo nos resultados das empresas.

Isso, somado ao peso de cobranças intensas, levou muitos trabalhadores a se sentirem perdidos, improdutivos e, ao mesmo tempo, sobrecarregados. Como resposta ao estresse, muitos passaram a se cobrar ao extremo sem levar em consideração a própria saúde mental.

Mas, claro, essa não é uma regra. Já existem empresas que prezam pelo bem estar dos seus funcionários, inferindo que essa é uma peça-chave para o sucesso do negócio. Assim, com os impactos da pandemia, muitos buscaram implementar ações que ajudassem seus colaboradores a encontrarem artifícios para estimular a manutenção da saúde mental diante de um cenário caótico.

Apesar disso, ainda é extremamente comum vermos empresas com funcionários se sentindo esgotados física e mentalmente pelo excesso de trabalho sem mediadores. Dessa forma, eles deixam de ser produtivos e eficazes em suas atribuições. 

Uma resultante cada dia mais comum do impacto do excesso de trabalho na saúde mental é a chamada Síndrome de Burnout

Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout (ou Síndrome do Esgotamento Profissional) é um distúrbio caracterizado por sintomas de exaustão extrema, dores de cabeça frequentes, dificuldade de concentração, pressão alta, dores musculares, e toda uma série de complicações que impactam negativamente na sua produtividade.

É comum que esses sintomas surjam, à princípio, de forma leve. Entretanto, sem intervenções para melhorar a qualidade de vida e saúde mental do trabalhador, eles tendem a piorar visto que a causa do problema continua presente, sem qualquer mecanismo para auxiliar a carregá-la. 

É comum, também, que as pessoas acometidas por esses sintomas acreditem que é algo passageiro. Dessa forma, não dão a devida atenção procurando ajuda especializada e, nem sempre, isso é visto como preocupação para a maioria dos gestores.

Pessoas que desenvolvem a Síndrome de Burnout podem, inclusive, se verem inaptas a continuar trabalhando por longos períodos de tempo devido a traumas e crenças limitantes desenvolvidas a partir do estresse extremo. 

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Portanto, vale dizer que, assim que o indivíduo notar qualquer sinal da doença, ele deve procurar ajuda profissional. Isso, também, deve ser uma preocupação das empresas: recrutar bons funcionários não é simples nem barato. Portanto, é indispensável zelar pela saúde mental dos mesmos e observar padrões que possam impactar negativamente, a tempo de contorná-los.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser realizado a partir de uma análise clínica do estado geral do paciente. 

Os profissionais indicados para analisar essa condição são os psicólogos e os psiquiatras. Ambos serão capazes de orientar cada caso da melhor maneira.

É possível obter ajuda especializada e gratuita através do SUS ou pela RAPS (Rede de Atenção Psicossocial).

Tratamento

O tratamento é feito basicamente através da psicoterapia e, em alguns casos, ele pode ser feito juntamente com medicamentos. O efeito positivo dessa intervenção começa a surgir entre um a três meses após o início dos cuidados médicos.

Atenção aos sinais de piora

Caso o indivíduo se veja acometido por estresse elevado ou, até mesmo, pela Síndrome de Burnout, ele deve ficar atento à alguns fatores que podem ser considerados como sinais de piora da sua condição: 

  • Distúrbios gastrointestinais;
  • Perda da motivação;
  • Negatividade;
  • Tristeza extrema (ou, até mesmo, depressão).

Prevenção do estresse

A empresa, ao desconfiar que seus funcionários estão sendo acometidos por altas taxas de estresse, deverá identificar sua causa e agir contra o desencadeador desse estresse, prevenindo e inibindo qualquer fator influenciador desse malefício.

Identificando o problema

Antes de iniciar qualquer medida preventiva ou de solução contra fatores estressantes deve-se, primeiramente, identificar da onde se origina esse estresse. 

Deve-se verificar em qual âmbito ele surge: se é particular (pessoal, do próprio trabalhador) ou referente ao ambiente de trabalho.

Problemas particulares: alguns obstáculos que levam ao estado de estresse podem estar relacionados diretamente ao indivíduo. Isso abrange às suas capacidades frente a algum serviço e suas necessidades individuais. 

A insegurança diante de algum serviço pode ser influenciada por dois fatores: volume de tarefas que extrapolam a função pré-determinada do trabalhador e suas dificuldades particulares ao lidar com alguma tarefa

Normalmente, alguma tarefa pode exigir habilidades específicas que, ou são desconhecidas pelo funcionário, ou não foram desenvolvidas a ponto de lhe fornecer segurança suficiente para executá-la.

Problemas no ambiente de trabalho: por outro lado, alguns problemas desencadeadores de estresse podem estar relacionados ao próprio ambiente de trabalho. Alguns dos principais fatores são:

  • Déficit no relacionamento interpessoal entre os colaboradores (meio social insatisfatório);
  • Suporte precário proveniente da empresa;
  • Tempo de intervalos infrequentes para o funcionário;
  • Longas horas de trabalho, que normalmente não são remuneradas adequadamente;
  • Falta de percepção da gestão diante das habilidades individuais dos funcionários;
  • Sensação de falta de controle da gestão;
  • Falta de oportunidades de crescimento, desenvolvimento (plano de carreira) ou promoção dentro da empresa;
  • Falta de participação dos funcionários nas tomadas de decisão. Esse fator é especialmente agravado pela comunicação precária entre a gestão e a operação.

Implementando soluções contra o estresse

Uma solução apropriada de manejo de estresse seria através de um reajuste das funções ou de mudanças organizacionais.

De acordo com o que aprendemos, possuímos duas vertentes para direcionar nossas soluções: foco no indivíduo e foco no ambiente de trabalho.

Para resolver os problemas causadores do estresse, com foco no indivíduo, deve-se implementar Treino de Controle do Stress (TCS) e programas de apoio social ao trabalhador. Isso faz com que o trabalhador desenvolva habilidades condizentes com atividades mais complexas e compreenda sobre a natureza e a raiz de seu problema.

O TCS pode amenizar os sintomas do estresse (como a ansiedade e distúrbios do sono) rapidamente. 

Além das vantagens citadas acima, essa também é uma solução barata e fácil de implementar.

Por outro lado, a solução com foco no ambiente de trabalho é direcionada na melhora das condições gerais de trabalho. É uma abordagem feita para reduzir diretamente os níveis de estresse no “ecossistema” do empregado. 

Essa solução visa em identificar os aspectos estressantes do trabalho (alta carga de trabalho e expectativas conflitantes entre a gestão e os colaboradores, por exemplo) e definição de estratégias para reduzir ou eliminar os componentes estressantes previamente identificados.

A vantagem dessa abordagem é que ela lida diretamente com a raiz do problema no ambiente de trabalho e pode se tornar duradoura por toda a vida útil da empresa.
Gostou desse artigo? Está pensando em implementar alguma solução alternativa no manejo de estresse na sua vida ou na sua empresa? Então, antes, aprofunde-se e entenda como ajudar seus colaboradores durante a pandemia!

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