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Abril Verde precisa falar de saúde mental: o que a nova NR-1 muda na prática para as empresas

  • Foto do escritor: Holos
    Holos
  • 13 de abr.
  • 3 min de leitura
Três pessoas em trajes formais trabalhando juntas em um escritório. Elas olham um laptop e parecem discutir algo com interesse.

A pauta de saúde e segurança no trabalho sempre esteve associada a riscos físicos, acidentes e uso de equipamentos de proteção. Mas esse cenário está mudando. Com a atualização da NR-1, os riscos psicossociais passaram a integrar oficialmente a gestão de riscos ocupacionais, ampliando o conceito de segurança no trabalho.


Essa mudança não é apenas técnica. Ela reflete uma realidade que já vinha se impondo nos dados.


Segundo o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou em 2024 cerca de 472 mil afastamentos por transtornos mentais, o maior número da última década. Ansiedade, depressão e condições relacionadas ao estresse ocupacional lideram esses afastamentos.


Diante desse cenário, o Ministério do Trabalho passou a reforçar a necessidade de que empresas revisem não apenas suas políticas, mas também a forma como o trabalho é estruturado no dia a dia.


O que muda com a NR-1


A nova NR-1 exige que as organizações incluam fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Na prática, isso significa que aspectos como carga de trabalho, pressão por resultados, relações interpessoais, assédio e falta de autonomia passam a ser considerados riscos que precisam ser identificados, avaliados e gerenciados.


Não se trata apenas de reconhecer que esses fatores existem, mas de tratá-los com o mesmo nível de seriedade que já se aplica aos riscos físicos.

Empresas passam a ser responsáveis por:


Mapear riscos psicossociais

Analisar impactos na saúde dos colaboradores

Implementar ações preventivas

Acompanhar indicadores relacionados à saúde mental


O desafio das empresas


Apesar da mudança regulatória, muitas organizações ainda estão em estágio inicial nesse processo.


Levantamentos recentes indicam que apenas 44% das empresas já mapearam riscos psicossociais, enquanto uma parcela significativa ainda não iniciou esse trabalho ou não sabe informar se o faz.


Isso revela um desalinhamento importante entre a exigência normativa e a capacidade de execução das empresas.


Na prática, muitas ainda tratam saúde mental como uma ação pontual, quando o que a NR-1 exige é estrutura, processo e continuidade.


Saúde mental como gestão de risco



A principal mudança trazida pela NR-1 é a forma como o tema passa a ser encarado. Saúde mental deixa de ser um benefício e passa a ser uma questão de gestão de risco organizacional.


Riscos psicossociais impactam diretamente:


  • Absenteísmo

  • Presenteísmo

  • Produtividade

  • Clima organizacional

  • Retenção de talentos


Ignorar esses fatores significa aceitar um nível de risco que já se traduz em perdas operacionais e financeiras.


Três pessoas em um escritório, concentradas, usando laptops. Janela ao fundo mostra prédios. Ambiente colaborativo e profissional.

Um novo papel para a liderança


A adaptação à NR-1 também exige uma mudança no papel das lideranças.

Gestores deixam de ser apenas responsáveis por entrega e passam a ter papel central na identificação de sinais de sobrecarga, condução de conflitos e criação de ambientes psicologicamente seguros.


Sem preparo adequado, esse processo se torna frágil. E é nesse ponto que muitas empresas encontram dificuldade: transformar diretrizes em prática.


Abril Verde em um novo contexto


Abril Verde continua sendo um mês de conscientização sobre saúde e segurança no trabalho. Mas o conceito de segurança evoluiu.


Hoje, falar de prevenção também significa olhar para fatores invisíveis, como pressão, sobrecarga, relações e cultura organizacional.


A atualização da NR-1 reforça essa mudança de paradigma.


Mais do que cumprir uma norma, empresas precisam revisar a forma como o trabalho acontece. Porque, no fim, a forma como o trabalho é estruturado é também a forma como ele impacta as pessoas.

 
 
 

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