Saúde mental: é possível alcançá-la?

Saúde mental: é possível alcançá-la?

As discussões voltadas para a manutenção da saúde mental, de forma geral, têm ganhado cada vez mais espaço no dia a dia das pessoas. Fundamental para que o assunto deixe de ser tratado como um tabu, algumas instituições e órgãos públicos incentivam os diálogos sobre o tema.

A Holos acredita que, como forma de prevenir e buscar a cura das barreiras e problemas emocionais, é importante valorizar a fala e o diálogo – especialmente com profissionais capacitados, como psicólogos e psicoterapeutas.

Algumas das estratégias para levar essa importante temática para todo o país – e ao mundo-, fazendo-a chegar em quem, de fato, precisa de ajuda, é o Dia Mundial da Saúde Mental.

O que é o Dia Mundial da Saúde Mental?

Celebrado, todos os anos, no dia 10 de outubro, o Dia Mundial da Saúde Mental é apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e tem como objetivo dedicar um momento para reflexões sobre os problemas que ainda se fazem presentes na realidade de quem possui algum tipo de sofrimento mental, além de estimular debates que contribuam para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao tema.

Muitas das discussões feitas, nesse dia tão importante, estão voltadas para a importância de se analisar o ser humano como um todo, de forma holística, relacionando, inclusive, as dores físicas e emocionais entre si. Em muitos casos, de fato, a ausência de saúde mental leva à malefícios que são sentidos por todo o corpo.

A quebra de preconceitos e tabus relacionados à saúde mental é, sem dúvida, uma das grandes prioridades da campanha. 

Um dos grandes apelos durante o dia 10 de outubro é: não tratem as pessoas como partes isoladas e, sim, como um todo que merece cuidado e compaixão. A saúde integral de cada indivíduo é indissociável: corpo, mente e alma estão a todo tempo se relacionando!

O silêncio e a saúde mental

A Holos propõe, aqui, uma reflexão sobre os benefícios do silêncio para a saúde mental – tanto a sua, quanto das pessoas que convivem com você. Vamos?

No ambiente externo, na maioria dos contextos, o silêncio permite maior concentração, conexão e compromisso com o momento presente, além da redução dos níveis estresse e ansiedade.

O silêncio traz paz interior, o que, por sua vez, é capaz de incentivar a criatividade, auto satisfação e bem estar, tão importantes para a manutenção da saúde e da qualidade de vida.

O silêncio permite que você consiga se ouvir

Através do silêncio, consegue-se ter acesso mais pleno e claro aos próprios pensamentos, sentimentos, emoções, reações físicas e psíquicas. Nele, percebemos nossas dores, forças e fraquezas.

O silêncio pode fazer com que um turbilhão de sentimentos seja sentido de forma mais leve, fazendo com que você passe a pensar e agir de forma mais consciente e menos impulsiva frente a situações de estresse ou emocionalmente negativas.

A quietude traz consigo a possibilidade de evoluir a consciência sobre o próprio corpo, mente e alma, fazendo com que os pensamentos e ações deixem de ser automáticos e passem a ser percebidos e executados com mais clareza. Isso permite o progresso do autoconhecimento – fundamental na busca pela saúde mental.

Apenas ao conhecer suas emoções é possível ressignificá-las em busca da mudança.

É valoroso ponderar que, nos casos dos sofrimentos mentais, a escuta de um profissional é sempre a mais recomendada. Alguém capacitado saberá conduzir o diálogo sem preconceitos e julgamentos, que são muito comuns na escuta amadora.

A importância da fala como um caminho possível para a saúde mental

Em outros contextos você já deve ter ouvido que “as palavras têm poder”. No que tange aos sofrimentos mentais, sabe-se que é difícil traduzi-los em palavras. Os pensamentos passam a ser mais negativos, acelerados, confusos, trazem sensações que são difíceis de explicar.

A angústia de não conseguir explicar aquilo que sente, aliada à inquietação frente aos próprios sentimentos, pode trazer muita aflição a quem as sofre, agravando os casos de depressão, ansiedade, baixa autoestima, transtorno do pânico, entre outros.

Além disso, em algumas situações, o silêncio pode revelar desistência ou uma tentativa de calar ou fugir de sentimentos fortes ou que trazem desconforto. Esse tipo de atitude pode internalizar sofrimentos, fazer mal e desencadear diversos problemas de ordem emocional, espiritual e física.

Uma conversa honesta consigo mesmo, que permita olhar para dentro de si com compaixão, pode auxiliar bastante no processo de autocrítica e reflexão sobre as emoções que são vivenciadas.

Se abrir com pessoas de confiança também pode auxiliar no processo de cura de sofrimentos emocionais mas não deve, nunca, substituir o auxílio de um profissional capacitado para essa escuta e que possa direcioná-lo, de fato, para a descoberta da cura.

Quando você fala, você ouve a si próprio. Com esse distanciamento entre os sentimentos, pensamentos e ações, passa a ser possível se compreender e se observar de forma mais clara. Quando isso acontece, fica mais fácil analisar a situação em busca das melhores alternativas de solução.

A fala pode ser, então, um caminho para se pensar de forma mais organizada, compreendendo com mais clareza as dificuldades que são enfrentadas no dia-a-dia.

Além disso, quando você desabafa sobre seus sentimentos, você diminui a intensidade da sua carga emocional e o fardo pode ficar um pouco mais leve, uma vez que você não precisa suportá-lo sozinho, guardando-o apenas para si.

Por fim, falar sobre o assunto abre espaço para que outras pessoas que vivem o mesmo problema dialoguem com você e, assim, passa a vigorar uma rede de apoio e compartilhamento de experiências, que são muito importantes para que as pessoas que sofrem com transtornos emocionais não se sintam sozinhas, mas acolhidas.

A importância da escuta profissional e por que fazer terapia

Psicólogos, psicoterapeutas e psicanalistas são preparados para direcionar cada paciente na busca pela autocompreensão e para que cada um possa encontrar, dentro de si, as ferramentas para enfrentar a depressão e outros sofrimentos mentais. Esses profissionais compreendem que, no espaço da escuta, a voz do outro é a prioridade.

De maneira geral, mesmo com a melhor das intenções, muitos ouvintes tendem a apresentar alternativas de soluções para os problemas que não são delas. Mesmo sem querer, deslegitimam uma dor que elas não vivem ou sentem, ou inserem no desabafo uma série de julgamentos pessoais que são resultado de sua própria visão de mundo, que é muito particular.

Com essa atitude, ouvintes despreparados não contribuem para a superação dos sofrimentos emocionais – pelo contrário, podem agravá-los e afastar aqueles que buscam ajuda.

O processo terapêutico, em si, só trará bons resultados se envolver a participação ativa do próprio paciente. Os benefícios da terapia surgirão na medida que a pessoa se permitir ser ajudada pelo profissional. Portanto, estar aberto à fala e a tentar externalizar tudo aquilo que sente e ainda não compreende, ou não faz bem, é essencial.

É também fundamental reforçar que, traduzir para palavras os sentimentos que são difíceis de definir não significa resolvê-los. Os profissionais da área de saúde poderão conduzi-lo para encontrar, dentro de si, as soluções para as dificuldades enfrentadas!

Cuide bem das suas emoções

Ainda que a sociedade tenha investido e aceitado cada vez mais a importância dos cuidados com a mente, muitas vezes essa atenção é deixada de lado.

Aquele pensamento de que “vai passar” acaba sendo mais forte e uma emoção que não poderia ser colocada em segundo plano é ignorada.

A consequência dessa atitude? Muitas vezes, o mesmo que acontece quando não se busca a cura uma doença desde o princípio: ela piora e traz sintomas mais graves.

Ao lidar com as nossas emoções, precisamos primeiramente ter um momento introspectivo, entendendo como elas são essenciais em cada ciclo das nossas vidas. Se o sentimento de tristeza é recorrente, será que não é a hora de mergulhar nas suas causas?

Se a raiva não passa, pode ser o momento de buscar as suas origens.

Esconder um sentimento pode ser nocivo à sua saúde mental e acabar afetando áreas que nem deveriam estar envolvidas. Ignorar as suas emoções pode até mesmo contribuir para um diagnóstico depressivo.

Cuide com carinho e compaixão da sua mente. É com o silêncio, em um momento com você mesmo, que será possível refletir sobre as suas escolhas, dando mais valor à sua vida e às suas conquistas.

Dê importância às suas emoções e não hesite em procurar terapias e profissionais que possam te ajudar nesta busca! Lembre-se: nada substitui o auxílio de um profissional capacitado nesses momentos.

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