Setembro Amarelo: quais ações as empresas devem fazer na pandemia?

Durante a pandemia, entre os principais problemas que estão afetando as pessoas se encontram a saúde mental e a financeira. Esta segunda, por sua vez, diretamente ligada à primeira.

Diante do desemprego, dificuldades de adaptação ao “novo normal” e os impactos que esses fatores trazem para o emocional do trabalhador, ocorre um sentimento generalizado de desesperança com o futuro.

Por isso, não só em situações de crise, é importante falar sobre saúde mental. Não só falar, como priorizar em nossas vidas e ativamente buscar atitudes que a preservem. Partindo desse pressuposto, foi criado o Setembro Amarelo.

O Setembro Amarelo visa trabalhar a saúde mental diante de adversidades e conscientizar a sociedade sobre o suicídio, consequência direta de uma saúde mental acometida.

Precisamos falar sobre o suicídio no Brasil

A saúde mental mal trabalhada pode trazer vários pensamentos negativos, levando, inclusive, à ideação de que deve-se tirar a própria vida para resolver seus problemas (o que não é verdade).

Ainda hoje, o suicídio é um estigma tão grande que qualquer abertura para debatermos o tema deve ser bem explorada. É essencial falar sobre isso, pois é assim que conseguimos combatê-lo, fazendo com que seja relevante e de responsabilidade da sociedade como um todo.

Dados mostram que no Brasil, anualmente, são registrados mais de 10 mil suicídios. E no mundo todo já ultrapassam 1 milhão de casos por ano (isso, sem levar em conta os suicídios que não são contabilizados).

São números alarmantes e só nos mostram a relevância da discussão do tema para todos. Nós nunca sabemos do dia de amanhã e saber estender a mão (e ter esse suporte para si) e de fundamental importância para sua redução.

A identificação de padrões para contorná-los em tempo hábil

Uma boa saúde mental ajuda no desempenho e efetividade em qualquer âmbito da nossa vida. Portanto, devemos priorizar tudo que nos faz bem e previne impactos indesejáveis em nossa vida pessoal e profissional.

Fazer coisas que gosta, participar de interações sociais, compartilhar experiências e levar a vida com leveza, de um modo geral, têm força na manutenção da saúde mental. Entretanto, só isso não basta: é preciso reconhecer padrões negativos e saber a quem recorrer para revertê-los.

A acessibilidade a essas informações pode ajudar alguém a conseguir tempo hábil para trabalhar sua própria saúde mental e, assim, contornar tendências suicidas. O assunto tem ganhado força e é imprescindível focar no próprio bem-estar mental antes de qualquer coisa, seja no âmbito financeiro, amoroso ou familiar.

Como definir o suicídio?

Suicídio é o ato deliberado de um indivíduo, a partir de tentativa ou execução, cujo objetivo seja a morte de forma intencional. Ele pode ser desencadeado por uma infinidade de motivos mas, muitas vezes, é provocado por distúrbios mentais (como depressão) ou pelo uso indiscriminado de narcóticos.

O suicídio é um comportamento extremamente violento, porém sempre existiu na sociedade, desde os tempos antigos. Há dados que dizem que pelo menos 17% das pessoas no Brasil já pensaram, em algum momento, em tirar a própria vida. 

É importante, então, entender o que leva um indivíduo a tentar cometer esse ato tão violento consigo próprio. Visto a importância de tratar o assunto, é também indispensável desmistificar os fatores que levam alguém a querer tirar a própria vida.

Quais são os fatores que podem levar uma pessoa a querer tirar a própria vida?

Quando ficamos sabendo de algum caso de suicídio, lamentamos muito e logo em seguida pensamos nos motivos que poderiam levar uma pessoa a tirar a própria vida. Apesar de ser uma coisa relativamente comum, não devemos pré-julgar um suicídio em nenhuma ocasião.

O pré-julgamento é extremamente desfavorável, portanto, deve-se focar em descobrir mais sobre todo o contexto pessoal do indivíduo do que simplesmente julgar. Caso não se sinta inclinado a querer entender melhor, então é melhor manter os pensamentos sobre o caso para si próprio.

Entretanto, por se tratar de um questionamento comum, queremos aqui mostrar que não são fatores únicos que levam a pessoa a tentar o suicídio, mas, sim, diversas interações de fatores: 

  • Psicológicos e biológicos;
  • Genéticos;
  • Culturais;
  • Histórico-comportamentais;
  • Socioambientais. 

Qualquer análise não pode levar a concepções simplistas nem generalistas, deve-se levar em consideração todos esses fatores para chegar a uma conclusão do porquê a pessoa quis tomar essa atitude.

Dessa forma, temos uma base de análise prévia para tentarmos entender o indivíduo com tendências suicidas.

Mitos e verdades sobre o suicídio

E isso nos leva a entender mais sobre o que passa no imaginário popular sobre o suicídio, portanto, trouxemos alguns mitos e verdades sobre o assunto.

Ainda estamos inseridos numa sociedade estigmatizada e cheia de mitos sobre o suicídio, onde não conseguimos identificar um caminho certo para discutir e tratar este tema. 

Ainda existem muitas pré-concepções sobre o comportamento das pessoas que possuem tendências suicidas e as pessoas que tentam (ou executam), de alguma forma, o suicídio.

Isso dito, vamos desmistificar as seguintes afirmações:

  1. É FALSO que as pessoas com tendências suicidas praticam o ato por livre e espontânea vontade, exercendo seu livre arbítrio. 

É VERDADEIRO que quase todas as pessoas que atentam contra suas próprias vidas estão sofrendo de transtornos mentais e podem ser tratados quanto à isso.

  1. É FALSO que uma pessoa que atenta uma vez à própria vida seja considerada para sempre um suicida em potencial.

É VERDADEIRO que o indivíduo com tendências suicidas pode ter seu transtorno mental tratado efetivamente e não correrá mais riscos de se matar.

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  1. É FALSO que a pessoa que diz que quer se matar só está querendo chamar a atenção.

É VERDADEIRO que o suicida dá indícios verídicos que pode realmente se matar.

  1. É FALSO que não devemos falar sobre o assunto com um suicida em potencial, senão o risco de acontecer aumenta.

É VERDADEIRO que falar sobre o assunto pode ajudar a diminuir a angústia do suicida em potencial.

Agora que conseguimos entender melhor sobre a realidade das pessoas com tendências suicidas, vamos falar um pouco sobre as doenças mentais mais comuns e que possuem ligação direta com esse ato violento.

Níveis de estresse, ansiedade e depressão no Brasil

Há uma extrema urgência em cuidar da nossa população, pois ela apresenta níveis alarmantes de saúde mental precárias. 

Estresse

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 70% dos brasileiros se consideram com níveis relevantes de estresse e 30% desses vêem o estresse vinculado ao trabalho. Além disso, há dados de que 90% do mundo todo possui algum grau de estresse.

Ansiedade

No Brasil, a ansiedade atinge 9,3% da população, elevando o Brasil ao 1º lugar com a maior quantidade de pessoas ansiosas do mundo, com 18,6 milhões de pessoas atingidas por essa patologia. 

E no mundo todo são 3,6% de pessoas atingidas pelo Transtorno de Ansiedade (T.A.).

Depressão

A OMS também alerta que o Brasil é o país mais depressivo da América Latina, com aproximadamente 12 milhões (5,8% da população brasileira) de atingidos pelo Transtorno Depressivo.

Percebemos, portanto, a importância de cuidar de nossa sociedade só por esses dados. Não concorda? 

Dados sobre suicídio

Ainda mais quando levamos em consideração que o Brasil está caminhando na contramão da prevenção ao suicídio. Houve uma redução global de 32% no número de mortes provocadas por suicídio nos últimos anos, entretanto, de 2006 a 2015, o Brasil registrou um aumento de 24% no número de suicídios cometidos por pessoas de 10 a 19 anos.

Isso só mostra o despreparo das autoridades políticas para implementar ações eficazes de prevenção ao suicídio.

Devem ser implementadas ações de combate aos transtornos mentais imediatamente no Brasil, para que esses números diminuam e consigamos, pelo menos, acompanhar os outros países no desenvolvimento da saúde mental.

Já que percebemos que existem motivos para nos atentarmos à saúde mental, devemos, portanto, sugerir medidas para diminuir o impacto negativo de uma saúde mental debilitada identificando, previamente, as pessoas com tendências suicidas.

Como identificar um suicida em potencial?

Existem algumas perguntas que ajudam a identificar um suicida em potencial. Elas são 6, veja só:

  1. Você possui planos para o futuro? 

R: A pessoa com risco de suicídio dirá que não.

  1. A vida vale a pena? 

R: A resposta também será não.

  1. Se a morte viesse, ela seria bem-vinda? 

R: O suicida em potencial dirá que sim. 

  1. Você está pensando em se ferir? 

R: Novamente, será sim 

  1. Você tem algum plano específico para tirar sua própria vida? 

R: A resposta da pessoa com risco será sim

  1. Você tentou se suicidar recentemente?

R: O suicida em potencial responderá que sim.

Além de serem formalizadas essas perguntas para identificar o comportamento suicida, para mensurar a probabilidade de tal ato vir a ocorrer também deve-se seguir um questionário:

  1. Há meios de efetivar um suicídio para o indivíduo? 
  2. Qual o nível de letalidade de seu plano? 
  3. Qual a chance de ser resgatado com sucesso? 
  4. Ele já esteve perto de realizar o suicídio alguma vez? 
  5. Ele é capaz de controlar seus próprios impulsos? 
  6. Há fatores estressantes que o tenham atingido negativamente? 
  7. Há fatores de proteção para que esse indivíduo não cometa o suicídio?

Levando tudo isso em conta, o indivíduo poderá ser abordado da melhor maneira de modo a preveni-lo de cometer essa violência consigo mesmo.

Como ajudar na prevenção ao suicídio?

A campanha Setembro Amarelo, criada em 2015 pela CVV (Centro de Valorização da Vida) em parceria com a CFM (Conselho Federal de Medicina) e a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), surge com a intenção de ajudar na conscientização e prevenção do suicídio.

Para tanto, divulgaram ações para as empresas e instituições de adotar a cor amarela, como forma de chamar a atenção para esse problema. Desde que foi criada, conseguiu a adesão de várias entidades que também promovem essa campanha extensamente.

O RH das empresas que gostariam de participar e apoiar um movimento pró saúde mental durante a pandemia podem buscar parceria com o CVV para realizar palestras, dinâmicas e outras programações que podem envolver esportes, caminhadas e passeios ciclísticos. Tudo isso, no intuito de promover uma saúde mental de qualidade para seus colaboradores.

A pandemia está impondo uma situação nunca antes vista para as empresas, se a sua está sofrendo com funcionários descontentes e estressados, fique ligado e entenda melhor como lidar com a saúde mental durante a pandemia

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